
Eu não posso deixar de lembrar que sou uma peça única, sem encaixe. Que talvez por erro da máquina que cria quebra-cabeças, não tenha me feito nem como um canto, nem como um meio, nem como a ponta da asa daquele pássaro ali que compõe a paisagem ao final do jogo. Mas pensando bem, isso não é tão mau assim. Pois nem tudo que sai estranho, não significa que não tenha seu valor. Talvez essa minha exclusividade, faça-me ainda mais valiosa por quesito raridade. Ou talvez me faça como uma espécie que, por sorte da humanidade, está em extinção. Bem, prefiro acreditar na primeira hipótese. Apenas tinha que ser sincera comigo mesma ao dizer que bate uma pontinha de tristeza quando eu vejo todos os outros se combinando, se magoando, se combinando de novo, sendo feliz, se magoando e se combinando novamente e se recombinando e se replicando. Algumas combinações duram até a vida toda, fortes e firmes, por vezes inusitadas, mas existentes. E eu me faço ausente desse direito, por ser, claro, uma peça única.
Talvez essa minha singularidade me faça independente, independente de drogas lícitas e ilícitas, de vícios, de pessoas. Independente para ser feliz ou triste. Fazendo-me mais minha do que de outros, fazendo-me mais capaz da minha autodescoberta. Fazendo-me ter que enxergar outros meios de procurar o apreço.
E por fim, consigo até sentir-me um pouco superior, já que observo que ao mesmo tempo em que todos tentam ser únicos, acabam se misturando à multidão, e eu que me misturo a essa, consigo ainda ser apenas eu, sem cópia ou sósia. Sendo isso bem ou mal, bom ou mau. Mas que no fundinho, eu acabo detestando.
Não vejo isso como algo ruim, pois peças únicas tem seus valores altíssimos, e assim me conforta, pois sei que não estou sozinho nesse mundo ;D
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